Bezegol já era uma certeza antes de lançar qualquer disco a solo. Durante anos e anos foi firmando o seu nome no underground, tanto como membro dos MatoZoo como participante em temas de terceiros. Chamou a atenção dentro e fora de Portugal, sempre sem outra publicidade que não a do seu talento. Por isso, durante anos e anos a pergunta que se impôs foi "Para quando um álbum de Bezegol?". Foi preciso esperar até 2007 para ter a resposta; Rude Bwoy Stand apareceu e, por alturas de balanços, foi considerado um dos álbuns desse ano. Mas agora o que nos interessa é 2009 e a noite de 27 de Junho. Isto porque, no decorrer do ano, Henrique Amaro desafiou-o a gravar um EP para a segunda série da Optimus Discos. Surge então o Rude EP , apresentado na Loja Optimus da Casa da Música na referida noite. E se por rude consideramos qualquer coisa agreste, pode-se dizer que a chuva da noite fez jus ao disco que se apresentava. Lá dentro, Bezegol, Kronic e Laranja conjugaram os diversos tempos da rudeza, os que vão do antigo álbum ao novo EP. Mas também não convém levar as coisas demasiado a sério. Entre os temas há simpatia com o público, durante os mesmos há boa disposição para encarar as fintas da mesa de mistura. Quanto a alinhamento, do passado (ainda que recente) vieram temas como "Tempu", "Let Them Know", "Roots of Evil" ou "Forever Love", cabendo a "Rude Rap" e a "Rude Sentido" representar o novo lançamento. Do último confirmou-se aquilo que se desconfiava: que além de ser um dos melhores temas que a música portuguesa tem nas mãos, é capaz de calar uma sala para receber espanto solene.
Texto: Sérgio Gomes da Costa | Foto: Daniel Mendonça