Em palco, a música começou com «Asas», dos GNR, muito sussurrada por Márcia Barros, vocalista e mentora dos Bossa Nossa. À segunda canção explica-se a génese do projecto: «Não Sou o Único», dos Xutos & Pontapés, marcou a ideia inicial de fazer um disco só com versões de temas dos Xutos. E, dada a predilecção, houve ainda direito a versão de «À Minha Maneira», que Márcia Barros anunciou para o segundo disco. Curiosa é a reacção do público num concertos destes. Nos momentos altos os uníssonos são muito sussurrados, como que a não querer perturbar o tom da bossa nova. Foi assim com os temas dos Xutos, como o foi com os particularmente bem recebidos «Tudo o Que Eu Te Dou» (Pedro Abrunhosa) ou «Jardins Proibidos» (Paulo Gonzo). Fora do alinhamento do disco, em todos os aspectos, ouviram-se três temas-surpresa: «Influência do Jazz» (de Carlos Lyra), «Só Vendo Que Beleza» (clássico do samba de Henricão e Rubens Campos) e «Rock With You» (homenagem a Michael Jackson). Para o final ficou o single que na rádio tem começado, continuado e acabado os dias lusos: «Bairro do Amor», de Jorge Palma, em bossa nova, com a influência do jazz.
Texto: Sérgio Gomes da Costa | Foto: Daniel Mendonça