Catorze dias depois do concerto no Coliseu, Mafalda Veiga voltou a actuar no Porto. Mas com diferenças, a começar logo pela escala dos acontecimentos: a Loja Optimus é um espaço para concertos íntimos, a rondar as 100 pessoas, o tipo de proximidade a que nenhum fã resiste.Foi então sem surpresas que se viu a sala encher, provavelmente com muita gente que também tinha estado no Coliseu. E é de uma assistência conhecedora que falamos. Das que cantam os temas com as letras bem decoradas, que não esperam o concerto todo pelo single na berra e que não refreiam o entusiasmo por nada.Mas isto sem histerias, como quem vai ali ao café ver uma amiga cantar e já volta. A páginas tantas, se calhar pelo sítio em que estava, Mafalda Veiga comparou uma guitarra a um telemóvel, dizendo serem dois instrumentos de comunicação. Pelos vistos, o nome da cantora está na "lista de contactos" de muita gente. Outra diferença em relação aos concertos dos coliseus foi o alinhamento. Tinha de ser, por uma questão de interesse e de duração, o que não foi sinónimo de um concerto curto. Houve 13 temas, o que já por si prova que se esteve longe de um simples showcase.Começou no último álbum (com "Entre Achados e Perdidos") e acabou no primeiro (com "Restolho"), cabendo no meio um pouco de todos os outros discos - "Tatuagens", "Por Outras Palavras", "Cúmplices" ou "O Lume" foram prova disso. Os dois últimos temas apareceram já em fase de encore, dois encores pedidos a viva voz pelo público e que a cantora não negou. Era visível o contentamento dentro e fora do palco.
Texto: Sérgio Gomes da Costa | Foto: Cristina Pinto Pinto