Sim, os concertos foram acústicos. Mas fez alguma diferença? Bom, talvez no início, mas compreende-se: há que habituar os senhores-rapazes às cadeiras e ao palco arrumado, à plateia de mil pessoas sentadas, com gente muito mais nova do que é costume (filhos dos eternos adolescentes de lenço vermelho nos pulsos).Se acústico podia ser sinónimo absoluto de ausência de electricidade, os Xutos chegam aos 30 anos (e provavelmente não teriam chegado se assim não fosse) com um gerador autónomo bem capaz de adrenalina para duas horas e meia de concerto, duas noites seguidas.Houve todos os clássicos, Zé Pedro disse – carismático – tudo o que havia a dizer, o timbre nostálgico de Tim fardado a rigor, Kalú o adorado dos mais novos a ser a «cola» do grupo ao centro do palco, João Cabeleira no sempre mágico solo de guitarra de «Homem do Leme», Gui a elevar no saxofone as pianíssimas «Esta Cidade» ou «Querida Pequenina».Se o auditório do Centro Cultural Olga Cadaval tinha silêncio escrito nas paredes de madeira, depressa o público se esqueceu da etiqueta em «N’ América», que foi logo das primeiras a entrar, «Circo de Feras», «Chuva Dissolvente», «Para Ti Maria», «A Minha Casinha», «Contentores», a antiga «Sémen» e a mais recente «Ai Se Ele Cai» – refrões repetidos por miúdos e graúdos. Pelo meio duas canções novas: «O Santo e a Senha», recebida com nota média, e «Às Vezes Aqui Faz Frio», melhor cotada entre os primeiros ouvintes.O formato acústico tem outra coisa: presta-se mais atenção. E quando Kalú grita «A Puta da Minha Vida» os olhos dos pirralhos à nossa volta esbugalham-se e os pais, nos 30 e muitos, vida feita, voltam a saltar como se tivessem 15.MÚSICAS >> Envie XUTOS para 3000 e aceda aos conteúdos do novo single da banda.
Texto: Marta F. Reis | Foto: Rita Carmo/Espanta Espíritos