Foi um concerto familiar. Talvez por ser dia de futebol com a selecção nacional, acabaram por não ser muitos os que compareceram ao concerto dos Dr1ve. Nada de grave, porque a banda soube reverter isso a seu favor. Estando entre amigos, a banda aproveitou para dar um toque informal ao evento. Principalmente Humberto Teixeira (ou Beto, o vocalista), que decidiu soltar as rédeas à extroversão e tratar por 'tu' a assistência. Houve piadas directas a algumas pessoas, dedicatórias emotivas a outras, alguns ensaios de stand-up comedy, e toda uma série de liberdades adequadas a quem joga em casa (com melhores resultados do que a selecção nacional, diga-se de passagem). A verdade é que a volta foi dada por cima. O gelo quebrou-se e daí a nada os poucos fizeram por ser bons. Aplausos, cantoria e participação não faltaram, o que costuma ser bom barómetro nestas coisas da satisfação de públicos. O alinhamento também ajudou, alternando temas mais conhecidos com outros recentes, não faltando truques de conquista imediata - o último single, 'A Wish', teve extensão acústica a prolongar a versão normal, por exemplo. Mas para além do single do momento, os temas 'Ending' e 'Beautiful, Beauty' (estrategicamente postos no início e no fim do alinhamento) foram outros pontos altos. E como o repertório dos Dr1ve não fala só inglês, 'Tentei' e 'Não me Lembro' estiveram lá a representar outras coordenadas. Houve encore, claro, mas foi a banda a pedir ao público que o pedisse - embora o público o pedisse sem ser preciso a banda pedir - aplaudido como se de um encore muito pedido se tratasse. Foi um concerto assim.
Texto de Sérgio Gomes da Costa | Foto de Daniel Mendonça